Binômio - O Jornal que virou Minas de cabeça para baixo.

Postado por O incognoscível quinta-feira, 23 de abril de 2009


HISTÓRIA:

Em1.952, numa Belo Horizonte com pouco mais de 400 mil habitantes de característica provinciana e conservadora, que a história de um Jornaleco que transformaria Minas, começou.

Dois jovens jornalistas do antigo Informador Comercial, hoje Diário do Comércio, José Maria Rabêlo, 23 anos, e Euro Luiz Arantes, de 24, resolveram fundar um jornal, profundamente irreverente, que pudesse chocar, escandalizar e atropelar o conservadorismo mineiro. Buscavam uma maior liberdade de expressão. Queriam um jornal que eles pudessem dizer, mesmo brincando, sobre tudo o que não lhes eram permitidos em outros jornais aos quais trabalhavam.

O nome foi escolhido para traduzir o que os jovens queriam com sua linha oposicionista e de humor político adotados. Esse nome foi baseado num programa do governo de JK denominado Binômio Energia e Transportes. Muito popular no Estado. Com a idéia de realizar um jornal com o compromisso com a verdade, começou por contrapor toda àquela propaganda e mentira divulgadas pelo governo, colocando o nome do Jornal daquilo que eles chamavam de Binômio de verdade: Binômio, Sombra e Água Fresca, que depois passaria a ser conhecido apenas como Binômio.

O INÍCIO:

O jornal não dispunha de redação, nem de empregados. Eram apenas os dois fundadores e uma máquina de escrever, numa república de estudantes de um bairro modesto de classe média em Belo Horizonte.

Os três primeiros números do Binômio foram financiados pelos integrantes do partido UDN e pelo deputado Milton Sales (Ferrinho de Dentista), também da UDN, opositores ao governo. Depois teve que se virar sozinho.

Sua popularidade aumentava e seu atrevimento também.

Podemos considerar que o Binômio passou por três fases:

1ª fase de 1952 a 1956: Com características claramente humorísticas que coincidiu com o governo de JK. Foi uma fase quase que inteiramente debochada. “Um jornal de estudantes que a polícia resolveu levar a sério”, dizia Euro Luiz.

Fase de transição, 1955: O ano de 1955 marcou a transição do Binômio, da fase humorística para a panfletária. O humor continuava sendo seu principal componente, mas as denúncias começavam a ocupar um espaço cada vez maior. As demais imprensas nada publicava sobre os escândalos que ocorriam no Estado.

2ª fase de 1956 até o início da década de 60: Fase panfletária que representou um período duro, com muitas perseguições durante o governo de Bias Fortes. Iniciou a prática de um jornalismo virulento e demolidor, que respondia no mesmo tom cada violência sofrida. As gráficas locais foram pressionadas e impedidas pelo governo de imprimir o Binômio, que passou a ser impresso no Rio de Janeiro até março de 1964 que, com o golpe militar, foi impedido de circular. Em Julho de 1956, o Binômio passou a ser semanal, refletindo seu prestígio ascendente junto aos leitores. Em julho de 1957 passou a circular às segundas-feiras, incluindo um noticiário esportivo. Porém essa inovação duraria pouco tempo.

3ª fase até 1964: o Binômio adotaria uma linha ainda mais voltada para seu momento histórico. Foi considerado porta-voz das campanhas de reforma de base (agrária, urbana, fiscal, de ensino, da saúde) que nada tem a ver com reformas neoliberais do atual governo. Essa fase significou o coroamento de toda a experiência anterior.

ASCENDÊNCIA, GOLPE E QUEDA:

O Binômio, como noutras épocas, passava por grandes transformações e possuía uma das equipes mais talentosas do jornalismo brasileiro. Como Paulo de Castro, Newton Carlos, Hermano Alves e Guy de Almeida, além de colaboradores no exterior e um grande editor, Wander Piroli.

Porém, com o golpe de 1964, o Binômio deixa de circular. Muitos de seus companheiros foram presos e perseguidos. Viveu-se momentos extremamentes difíceis, com pressões e violências de toda ordem.

ERA O FIM...

“Terminava assim a fascinante aventura começada 12 anos antes, na qual o jornal se transformou de uma brincadeira de estudantes em uma publicação de projeção nacional”, citação de José Maria Rabêlo no livro Binômio, edição história do Grupo editorial Barlavento, Armazém de Idéias, cap. 01 – pág. 63.



Thaís Oliveira, Gabriela Rosa e colaboradores.

1 Comment
  1. Anônimo Said,

    Olá, estamos fazendo um documentário na faculdade (Com. Social, Ufmg), e gostaria de poder entrevistar o jornalista José Maria Rabelo, antigo diretor do irreverente Binomio. Vcs teriam algum contato dele para nos passar?

    Muito obrigado, Daniel(daniel.bayao@yahoo.com.br).

    Posted on 25/05/2009 15:27

     

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