O sensacionalismo na mídia

Postado por O incognoscível quinta-feira, 23 de abril de 2009

O sensacionalismo aparece nos meios de comunicação como uma espécie de balança, oscilando em determinado momento para a punição e, em outro, para a transgressão. O veículo, que envereda pelo caminho sensacionalista, chama a atenção para si por meio desses dois fatores: a punição e a transgressão.
Não se trata de um fenômeno novo. É talvez a mais antiga ferramenta para aumentar as vendas de produtos de comunicação e implica em uma opção editorial. O produto sensacionalista baseia-se em uma linguagem específica, que será chamada aqui de "clichê".
Já os veículos apenas informativos - e não sensacionalistas - utilizam-se de uma linguagem que oferece distanciamento, chamada aqui de "sígnica".
Então, em resumo, o leitor percebe que está entrando em terreno sensacionalista quando existe a intenção de punir ou transgredir (às vezes, as duas ao mesmo tempo), tendo como base a linguagem clichê.
O sensacionalismo coloca uma espécie de lupa sobre um determinado fato e o amplia, "sensacionalizando" aquilo que nem sempre é sensacional.
Assim operavam os telejornais sensacionalistas e programas de apelo popular, como o do apresentador Carlos Massa, o Ratinho.
O cinema recorre a artifícios psicanalíticos para atrair o público. O processo é semelhante ao modus operandi dos jornais sensacionalistas. O filme "Tropa de Elite", por exemplo, usa os mesmos recursos de filmes produzidos em Hollywood. É uma cópia verde-amarela de "Robocop".
"É uma notícia às vezes verdadeira, sempre exagerada, freqüentemente falsa. São detalhes de um horrível assassinato ilustrado, com gravuras em madeira de estilo ingênuo. É um desastre, um fenômeno, uma aventura extraordinária. Paga-se cinco centimes e se é roubado", comentava o escritor Gerard de Nerval, em um livro chamado "O Diabo em Paris".
"A leitura de uma reportagem nunca é inocente. E nunca é recebida como 'simples informação'. Quando um veículo de comunicação faz uma campanha em defesa da pena de morte, ao reivindicar o rigor da execução, o público talvez busque eliminar simbolicamente o desejo assassino que ele prova inconscientemente em si mesmo", diz o teórico francês Alan Monestier.
Para um jornal sensacionalista, a notícia do dia, o fait divers, em que se valerá investir, é aquela que traz mais proximidade com o seu público, seja essa notícia o aparecimento de um bezerro de duas cabeças ou o nascimento de um bebê diabo.
Será que vale a pena?

Thaís Oliveira e Gabriela Rosa.

3 comentários
  1. Belo artigo.

    Posted on 10/09/2010 09:58

     
  2. Bom, mas um pouco mais de análise social e psicológica do contexro do tema ajudariam.

    Posted on 05/03/2012 15:04

     
  3. *contexto

    Posted on 05/03/2012 15:05

     

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